No Metrô

Caso alguém me perguntasse onde, em São Paulo, há um bom lugar para se dedicar ao hábito da leitura, eu teria a resposta de pronto: Nos vagões dos trens do metrô. Não há, na capital, melhor sala de leitura.Depois de uma extensa pesquisa, que me custou 1800 segundos – tempo de percurso até o trabalho – cheguei à conclusão que, em cada grupo de 15 pessoas, 13,3 estão lendo alguma coisa. Os títulos são os mais diversificados possíveis. De revistas como Conta Mais!, Ana Maria e edições do Metrô News e do jornal esportivo Lance! a clássicos da literatura como Eça de Queiroz, Machado de Assis. Tem até gente lendo O Mundo de Sofia! Alguns livros de bancas também fazem sucesso, outro dia uma senhora, de uns 40 anos, lia com atenção um romance caliente da coleção Julia, enquanto devorava uma barra de chocolate. Achei melhor sair de perto enquanto ainda restava chocolate. Lembrei de alguns tipos de leitores mais exóticos:Universitários-de-exame: Muito comum nesta época do ano, estão sempre com a aparência cansada lendo apostilas ou livros emprestados, enquanto esfregam os olhos por baixo das lentes dos óculos. É fácil reconhece-los. Eles vão até as estações terminais só para poderem arranjar um lugarzinho sentado – e não se levantam nem que aja uma excursão da terceira idade no vagão.Pré vestibulando: As características são muito parecidas com os de cima, a diferença é que são, em sua maioria, descendentes de orientais e lêem apostilas do Etapa e Objetivo. Além disso, são mais calmos e costumam sussurrar enquanto estudam.O Torcedor:. Basta seu time aplicar uma goleada no rival que lá está ele, sorridente, lendo e relendo o caderno de esportes, com a gloriosa camisa cheirando a naftalina. Pseudo-homem de negócios: Esse tipo de leitor anda em moda, principalmente depois do sucesso televisivo de O Aprendiz. Nas mãos a edição da revista Time ou da Newsweek, o jornal Gazeta Mercantil (que tem um visual mais sério que o do Valor Econômico, apesar de ser mais complicado) e o celular. Adoram usar a combinação terno + sobretudo.O evangélico:. Nesse grupo, há dois tipos: Um é do tipo mais sério, normalmente membro de uma igreja histórica ou pentecostal, que está sempre segurando a Bíblia, surrada pelo uso, enquanto tenta se equilibrar no trem. Há outro tipo, o do crente-egoísta. Esses não cedem lugar pra ninguém sob o argumento de que aquele lugar é do “filho de Deus” e que ele deve estar sobre o “ímpio”, porque, afinal, é “cabeça e não cauda” e por ai vai. Não lê muito a Bíblia mas adora livros de auto-ajuda evangélicos que ensinam a “conquistar”, “tomar posse”, “reivindicar”, “ser restituído” e outros temas assim.Pode observar na sua próxima ida ao trabalho, isso, claro, sem querer atrapalhar sua divertida leitura no metrô.

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1 comentário

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Uma resposta para “No Metrô

  1. Não sei você, mas algumas coisas que o povo lê me revoltam bastante! A grande campeã é a Zíbia Gaspareto e seus co-autores do além.

    Porcaria por porcaria, quando estou desprevinida, no metrô eu leio até bula de remédio.

    Muitíssimo parabéns pelo blog, pelas coisas que escreve e pela matéria da senhora cega na revista. Você é ótimo, Marcelo! Obrigada pela sua visita no meu blog. Será um prazer ter você por lá sempre.
    Já está nos links “aprovados”, é claro.

    Um graaaaaaaaaaaaaande abraço!

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