“Morre, em nome de Jesus!”

Minha cabeça anda queimando com toda turba decorrente do assassinato da pequena Isabella Nardoni.

Pela manhã, o noticiário atualiza as velhas-novas informações. Das suspeitas que, numa matemática indecifrável, apontavam para 99% do caso resolvido, para hipóteses de outros suspeitos. Mas, o que mais me preocupa mesmo é ver o grau de insanidade de nossa sociedade. Uma sociedade que se move ao calor das manchetes. Desnecessário explicar que minha tristeza se dá na reação das pessoas diante da possibilidade do pai ter matado sua pequena filha. Queremos “fazer justiça”. Queremos que o criminoso, culpado pelo bárbaro crime, padeça as dores mais sofríveis e ainda ganhe, como morada eterna, o inferno. Ou, como vociferou um zelador de 60 anos, diante do IML, quando Alexandre e Ana Jatobá faziam exames: “Morre, em nome de Jesus!”

Fico pensando onde esse homem ouviu que ele poderia usar o nome de Jesus para chancelar um desejo cruel, como a morte de alguém. Minha primeira explicação é de que o nome de Jesus não tem sido relacionado com sua essência, que é o amor. O nome de Jesus é “poderoso”, como diz a canção evangélica. O nome de Jesus é a “chave”, como afirma alguns discursos. O nome de Jesus é o caminho mais curto para o “nosso desejo”. Essa tem sido a tônica do discurso cristão. Poucos são os que dizem que o nome de Jesus é amor, Graça, perdão, pacificação e reconciliação. Daí fica fácil entender como o doce nome de Jesus pode ser usado numa expressão de intolerância e ódio.

Essas idéias entram sorrateiramente em nossas mentes e corações. E entram porque não nos permitiram usar nossa capacidade crítica. Pior, disseram que senso crítico não é uma coisa boa e que provoca contendas e divisões. Então, de tanto absorver, ficamos intoxicados. Por falta de senso crítico, consumimos qualquer conversa, qualquer idéia, por mais perniciosa que seja. Por mais egoísta, maldosa e diabólica. Duvidar não faz parte da agenda cristã. O mesmo Deus de Graça e amor pode muito bem conviver com o deus de ódio e intolerância.

Somando isso com nossa inclinação natural para olhar as maldades alheias e esquivar de encarar as nossas próprias, podemos encher nossos peitos e “profetizar”: “Morre em nome de Jesus!”.

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1 comentário

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Uma resposta para ““Morre, em nome de Jesus!”

  1. Uilians Uilson

    assino em baixo o seu blog é muitolegal. Vou pedir permissão para colocá-lo na lista de minhas indicações.

    Um abraço!
    Uilians

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