Sobre realejos e Toddynhos

É até estranho quando, de um momento para outro, as coisas começam a ficar muito bem. Crises desaparecem, a conta fica no azul, o carro é trocado, os projetos e planos começam a se desengavetar. Tudo, repentinamente. Como num passe de mágica. Como se Deus deixasse seu pote de bênçãos destampado por mais tempo sobre mim – não sei se por esquecimento, ou de forma deliberada.

É estranho e assustador. De qualquer forma, tento curtir esses bons ventos. Mas, como sou inquieto, não consigo sorver toda sua plenitude. Penso nas pessoas ao meu redor e que não estão tendo a mesma sorte. Penso que nem sempre mereço a recompensa que me é dada.

Num programa do CQC, no quadro TOP Five (aquele que mostra os vídeos mais esdrúxulos da semana), uma jornalista contava como “se descobriu” para a profissão. Ela dizia que estava tomando seu matinal, quando leu no verso da caixa do Toddynho a palavra “JORNALISMO”.  Contou que, naquele momento, percebeu que se tratava de um recado celestial. “É assim que Deus age. É coisa de Deus”, ratificou sua interlocutora.

Os peraltas apresentadores do programa CQC logo começaram com as brincadeiras. “Imagine a falta do que fazer de Deus para perder tempo mandando recados através da caixa do Toddynho” outro emendou: “Deus não pode falar com as crianças do Timor Leste porque elas não tomam Toddynho”.

Meu medo é pensar, de verdade, que Deus irá me fazer tomar uma decisão tão importante, como a escolha de uma profissão, escrevendo recados atrás dos achocolatados. É por isso que reluto em dizer que as boas fases da vida são respostas das minhas orações. E, como explicar as más fases, as crises, a dúvida e o medo?

Peço a Deus que me dê lucidez. Que as escolhas na vida sejam responsáveis, e não uma brincadeira de “caixa de promessas bíblicas”, um realejo ou mesmo previsões do Polvo Pool.  Isso não elimina minhas orações. Não elimina o “lançar sobre Ele (Deus) todas as minhas ansiedades”, como diz a bíblia. Mas elimina uma maligna ideia de que gozo de uma predileção divina.

Creio que sou apenas um filho; mais um nesse mundão grande e cheio de fronteiras, repleto de gente confusa, maluca, boa e ruim. Não tenho vantagens competitivas por ser amigo de Deus. Por escolher seguir a Jesus Cristo. Por ter na vida de Cristo meu exemplo e ideal.

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