O Caio chegou!

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Inimigo íntimo

 “Os homens temem o pensamento mais do que qualquer outra coisa sobre a Terra – mais do que a ruína, mais do que a própria morte. O pensamento é subversivo, revolucionário, destrutivo e terrível; o pensamento é impiedoso com os privilégios, com as instituições estabelecidas e os hábitos cômodos; o pensamento é anárquico e sem lei, indiferente à autoridade, displicente com a comprovada sabedoria dos séculos. O pensamento olha para as profundezas do inferno e não se amedronta. Vê o homem, frágil ponto cercado de insondáveis abismos de silêncio, e ainda assim sustenta-se gloriosamente, tão impassível como se fosse o senhor do mundo. O pensamento é grandioso, ágil e livre, a luz do mundo e a principal glória do homem. É preciso que o pensamento se torne propriedade de muitos, e não privilégio de poucos. Porém, o medo de que suas crenças acalentadas se revelem desilusões, medo de que eles próprios se revelem menos dignos de respeito do que supunham ser. Deve o trabalhador pensar livremente sobre a propriedade? Então, o que acontecerá a nós, os ricos? Devem os homens pensar livremente sobre o sexo? Então, o que será da moralidade? Devem os soldados pensar livremente sobre a guerra? Então, o que será da disciplina militar? Fora com os pensamentos! Voltemos à obscuridade do preconceito, para que a propriedade moral e a guerra não fiquem em perigo! É melhor que os homens sejam parvos, preguiçosos e oprimidos, do que sejam livres seus pensamentos. Pois, se seus pensamentos fossem livres, eles poderiam não pensar como nós. E essa desgraça deve ser evitada a qualquer preço. Assim argumentam os opositores do pensamento nas profundezas de suas almas. E assim agem em suas igrejas, suas escolas e suas universidades.” BERTRAND RUSSEL

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What do you want to do before you die?

(o que você quer fazer antes de morrer)

 

Este é um tema de um trabalho da artista norte-americana Nicole Kenney, que vive no Brooklin e decidiu sair com sua máquina Polaroid fotografando desconhecidos (www.beforeidieiwantto.org), que tentavam resumir em uma linha, o que querem fazer antes de morrer. A ideia não é nova. Mas a pergunta é filosófica e continua incomodando. Basta lembrar do sensível filme “Antes de partir”, estrelado por Jack Nicholson e Morgan Freeman.

 

Às vezes acho que vou morrer cedo. Sou sedentário e muito preocupado com a vida. Tenho plena consciência de que isso em nada me ajuda. Mas, sou assim. Por mais que não goste, sou assim.

 

Por outro lado, amo demais a vida. É uma experiência fabulosa. Principalmente por causa das pessoas. Elas são as flores desse jardim. Eu costumo pensar que, se fosse embora hoje, não poderia reclamar. Tenho visto o crescimento do meu filho. Hoje ele tem cinco anos. É um amigão e um “professor” da vida.

 

Além disso, trabalho com o que gosto de fazer. Meu cérebro não para. Vive a me dar ideias. E disso tenho tirado o meu sustento.

 

Mas, tenho um grandioso projeto de vida. Quero encontrar amigos pelo caminho. Confesso que isso não é fácil. Não por causa dos outros, mas por minha culpa. Sou um arrogante transvestido de bonzinho. Preconceituoso e, às vezes, venenoso. Sou intolerante e egoísta e, por isso, estou sempre envolto aos meus próprios sentimentos. Como é difícil encontrar amigos que me aceitem nessa condição. Até porque, não me apresento assim diante deles. Com “os outros”, uso minhas máscaras. E, todo relacionamento com máscaras não pode ser saudável em sua essência.

 

Mas a boa nova é que tenho consciência de tudo isso. E quero mudar. Como quero.

 

Então, em poucas palavras: eu gostaria de, antes de morrer, ter um grande amigo. Um amigo parceiro e confidente. Um amigo leal, honesto e próximo.

 

Tenho sentido falta dessa amizade. E, mesmo com tantas pessoas ao redor, muitas vezes me sinto só.

 

Lembro que, quando era criança e adolescente, as amizades pareciam ser mais fáceis. Eram desinteressadas. Sem nenhum tipo de expectativa. Era só estar junto.

 

 Sinto falta dessa amizade. É essa uma das minhas principais metas de vida. Sou carente de um “melhor amigo”before-i-die.

 

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De volta?

caminhoComeço meu ano hoje. Restabelecida a Internet, os contatos, as idéias que jorram pelos poros. As lições que aprendi e as que teimo em não aprender.

Tudo bem. Feliz 2009, blá, blá, blá…

 

 Ano começa ou recomeça? Depende dos meus passos. Bem, aprendi que planos muito ousados são para pessoas muito ousadas. Não sou assim. Vivo a vida devagar, sem muitas ambições. Humildade ou incapacidade: sei lá. Mas, vamos ver aonde vou com esses meus pés.

 

Esse ano eu faço 31. Ando perplexo com a velocidade do tempo, mas, não quero perder mais tempo reclamando do tempo que passa tão rápido. Esse ano, se o bom Deus permitir, nasce meu segundo filho, o Caio. Alegria misturada com nervosismo e com muito pouco gelo para engolir.

 

Esse ano eu quero por em prática a frase que ouvi não me lembro aonde e nem de quem: “Se queres fazer algo para entrar na história, faça algo acima dos seus interesses pessoais”. Eureca! Mas, conhecendo toda a minha carnalidade, sei que essa tarefa é quase impossível. Será que dou conta? Vamos ver.

 

Minha esposa diz que sou persistente nos meus objetivos. Não sei se ela está certa. Sinto me, muitas vezes, fraco e sem ânimo para voos maiores. Limitado. Para todo o lugar que olho, minhas limitações vêm me esbofetear. Quer saber? Meu objetivo será, daqui para frente, o caminho e tão somente ele. A mágica aventura da vida e todos os sabores e dissabores. Ando bem acompanhado por esse caminho. Trilho ao lado do meu Jesus, fonte de toda a alegria. Andarei despreocupado e mais leve (nos dois sentidos). No dia das lágrimas, vou chorar. No dia da alegria, rir. No fim de semana, ver pessoas queridas. E a quadra do meu prédio servirá de bons momentos a lado do meu garotinho.

 

São muitas promessas, eu sei. O Kassab fez muito mais no ano passado. Mas, se eu conseguir cumprir algumas, já ta bom. Se não, vou tentando pelo caminho.   

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Crianças invisíveis

 

Crianças brincam com a coordenadora do São Paulo Protege, Cibele.

Crianças brincam com a coordenadora do São Paulo Protege, Cibele.

Mateus é um menino curioso. Tem 11 anos e é conhecido como alemão, por conta de seus cabelos loiros e sua pele clara. Gosta de conversar, brincar e contar piadas. Luana é vaidosa, usa batom, brinco e diz ter 16 anos, mas aparenta uns 13. Gosta de tirar fotos. Uelinton., 11, é tímido e calado, mas gosta de brincar de pega-pega e polícia e ladrão com seu amigo Felipe, de 13, bigode pronto a nascer e sorriso que brota no canto do rosto.

Luana tem nas mãos fotografias. Diz que um homem sempre a procura por lá para tirar fotos suas. Em troca, a deixa ficar com algumas chapas, onde ela aparece sorrindo e em poses erotizadas. “É muito comum esses relatos”, conta o educador social João Santos, que trabalha para o programa municipal São Paulo Protege, em troca de um salário mensal de cerca de 700 reais. Antes ele era motoboy. 

Todas estas crianças moram juntos. Quando faz muito calor, ficam deitados olhando o movimento dos carros, quando chove ou faz frio, procuram se aquecer deitados debaixo de um mesmo cobertor e apreciando a paisagem da janela de “casa”, que na verdade é um chão de terra coberto com um tecido maltrapilho sob um viaduto na região do Vale do Anhangabaú, no centro da cidade de São Paulo. São crianças que dormem na rua, num cenário de total vulnerabilidade.  

Estima-se que numa cidade como São Paulo, quase duas mil crianças e adolescentes passem o dia nas ruas. Dessas, uma em cada dez dorme nas calçadas, sob viadutos, praças e nos mocós, uma moradia improvisada, como casas abandonadas ou buraco sob viadutos, onde convivem com ratos, baratas e toda a sorte de violência. 

 

Felipe vivia também nas ruas. Hoje mora num abrigo provisório. Só aceitou ir para lá após deixarem que Bob, seu cão, o acompanhesse. “O Bob é a única família de Felipe, que mora desde os 7 anos na praça Roosevelt. Ele é orfão de pai e mãe”, conta a coordenadora do Abrigo, Marilia de Almeida.

 

Estas crianças são invisíveis, cinzas como a cor do asfalto e das calçadas, mas estes meninos e meninas tingiram minha vida com cores que eu jamais conheci. Como podemos viver anestesiados diante de um quadro tão bizarro? Ou é comum que crianças vivam nas ruas, alimentando-se de cola e acordando com as botinadas do Estado?

 

(Esta matéria será escrita para a revista Problemas Brasileiros, mas deixo um pouco da minha indiganção postada aqui).

 

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Tem que valer, valer, viver…

“Quero que me digam que eu tentei ser direito e caminhar ao lado do próximo. Quero que vocês possam mencionar o dia em que tentei vestir o mendigo, tentei visitar os que estavam na prisão, tentei amar e servir a humanidade. Sim, se quiserem dizer algo, digam que eu fui um arauto: um arauto da justiça, um arauto da paz, um arauto do direito. Todas as outras coisas triviais não têm importância. Não quero deixar nenhuma fortuna. Eu só quero deixar uma vida de dedicação! E isto é tudo o que eu tenho a dizer:
Se eu puder ajudar alguém a seguir adiante, se eu puder animar alguém com uma canção, se eu puder mostrar a alguém o caminho certo, se eu puder cumprir o meu dever cristão, se eu puder levar a salvação para alguém, se eu puder divulgar a mensagem que o Senhor deixou……então a minha vida terá valido a pena!” [Martin Luther King Jr.]
E valeu, Doutor, como valeu.

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Eloi, Eloi, lama sabactani?

Quando era criança, sempre imaginei que ser Pai bastava. Afinal, os filhos são a causa maior da nossa alegria.

Ledo engano. Não basta ser pai. É preciso ser filho também. Vejo isso quando olho para meu pai. Há 15 anos meu avô paterno faleceu. E, há 15 anos vejo meu pai colocar a música “Pai”, do Fábio Jr., se refugiar do tumulto e segurar as lágrimas de saudade.

Fico pensando em alguns amigos próximos, que não têm seus pais presentes. Meu amigo Régis, por exemplo. Gente muito boa. Desde que eu o conheci, não tinha mais contato com seu pai. Casou e teve sua filha sem ter seu pai por perto.

Fico pensando no meu amigo Alê, que faleceu em maio, sem ter comemorado o primeiro dia dos pais ao lado do seu pequeno Gustavo. O Alê também não teve a presença paterna ao seu lado. Também foi vítima de uma separação. Do abandono do pai, que seguiu com outra família.

Esses dois amigos nunca reclamaram a falta do pai. Mas sempre a demonstraram. Suas características pacatas deixavam exposta uma das marcas que a ausência paternal provoca. Quando não se tem pai, não se pode ser valentão, afinal, não haverá um pai para segurar a barra. O pequeno Gustavo tem um grande desafio pelo frente.

Paradoxalmente, tenho muito que agradecer. Sempre tive por perto a figura do meu pai. Sempre soube que ele estaria ali. E, até hoje, não tenho medo da vida porque sei que ele está por perto para me ajudar, caso eu faça uma burrada. Os filhos sempre acreditam que o pai é um poço infindável de coragem, de sabedoria e de dinheiro também.

Quanto aos amigos que não tem seus pais por perto, posso lembrar do momento mais duro da vida de Jesus. Do alto da cruz, às três da tarde, em meio à escuridão que assolou aquele dia, Jesus olhou para os céus e clamou: Eloi, Eloi, lema sabactani? (Meu pai, por que me desamparaste?). Foram as últimas palavras de Jesus, que tinha seu coração mais dilacerado do que o próprio corpo. Sua alma clamou por seu pai.

A boa nova é saber que Deus entregou seu único filho para que através de Jesus todos pudessem ter também um pai. Desta vez um Pai eterno e incorruptível. Após a ressurreição de Cristo, suas primeiras palavras, foram: “Não tenham medo! Vão dizer aos meus irmãos (…)” Jesus referia-se aos seus irmãos, filhos do mesmo Pai. Filhos de Deus.

A dor do distanciamento do pai, aqui na terra, é reflexo da dor de não ter um Pai celestial.Jesus olhou e viu os céus vazios. Muitos amigos e pessoas tão amadas olham e vêem a casa vazia. O quarto vazio. O portão que nunca mais vai ranger ao ser aberto pelo pai, na volta do trabalho.

Mas há esperança. A fé cristã alimenta essa esperança: a de que o pai pode até se ausentar por um pequeno momento. Mas, logo, ele estará lá. Sim. Ele jamais se esquece do seu filho.
E o filho jamais se esquece de seu pai. E coloca logo Fábio Jr. no tocador de CD, que eu quero chorar à vontade.

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